HUMBERTO PERON
O grande motivo para o futebol ser o esporte mais popular do planeta é a sua simplicidade. Todos, sem muito esforço, conseguem entender suas regras básicas, e com um pouco de boa vontade é possível entender o que acontece no gramado. Mas, nos últimos anos, o futebol está se transformando em assunto para catedráticos, graças aos teóricos da bola --aqui incluo treinadores e jornalistas-- que, para se valorizar, tentam por meio de discursos lindos, que não dizem nada, provar que só eles entendem de futebol.
"Quero um 9". Era assim que o saudoso técnico Oswaldo Brandão, que foi homenageado no último clássico Palmeiras e Corinthians dando nome ao troféu que foi disputado pelas equipes, falava quando precisava de um centroavante. Simples e direto. Todo mundo sabia que o treinador queria que seu clube contratasse um artilheiro.
Hoje não. Um "professor" quando indica um atleta já vem com um pedido mais ou menos assim. "Quero um jogador que não seja quase um atacante, com característica de flutuar entre a linha imaginária do volante de contenção e o zagueiro mais centralizado do adversário e que aumente o poder de articulação da equipe." Isto dá um nó na cabeça de qualquer um. Talvez por isso cada vez mais se contrate mal no nosso futebol.
Dentro dessa linha de se complicar muito o futebol, as pessoas tentam justificar o que não tem desculpa. Me deixa de boca aberta ler que um centroavante, que não marca gols e é vaiado constantemente com razão pela torcida, tenha que continuar na equipe porque tem uma função tática importante. Pura balela. Todo mundo sabe que um centroavante tem um trabalho básico de tentar abrir espaço para os companheiros, mas tem como função fundamental pelo menos tentar chutar no gol.
Graças aos sabichões e teóricos da bola estamos perdemos jogadores com características fundamentais. Em pouco tempo não teremos atletas que saibam atuar pelo lado do campo. Até pouco tempo tínhamos os pontas, que se transformaram em armadores e foram atuar pela faixa central do gramado. O espaço dos extremas foi ocupado pelos laterais, que os catedráticos começaram a chamar de alas, que já não atuam mais abertos e também se tornaram jogadores que atuam no meio.
Também não temos mais meias que organizam o jogo e consigam dar um lançamento longo. Nossos "professores" transformaram os jogadores de criação em atletas que só sabem correr com a bola e que tentam na força física passar pelos adversários.
Pode perceber. Se algum time tem um ataque que funciona e defesa ruim, o treinador faz sempre alguma alteração que acaba com o ponto forte da equipe e não consegue arrumar o que está ruim. No lugar de melhorar o que está errado, ele acaba piorando todo o time. Mas mesmo que nada funcionou, fico intrigado como o discurso dos sabichões engana várias pessoas e gera comentários inflamados concordando com suas besteiras.
Talvez, o sucesso no futebol moderno passa por usar a simplicidade que o esporte sempre teve.
Até a próxima.
folhaonline

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