A ligeira habilidade dos árbitros Gutemberg de Paula Fonseca e Péricles Bassols Cortêz com a bola chama a atenção, mas o que eles mais querem é passar despercebidos nos jogos das semifinais da Taça Rio, neste fim de semana.
Confinados desde quinta-feira em um hotel da Zona Oeste do Rio, juízes, auxiliares e reservas escalados para Vasco x Fluminense e Botafogo x Flamengo passaram por mais uma etapa do regime de concentração criado pela Comissão de Arbitragem da Ferj. Nesta sexta, os dois quintetos encararam um simulado de arbitragem. Em um clube no Recreio dos Bandeirantes, foram testatos e orientados por instrutores da Federação e da Fifa. A atividade promoveu possíveis situações de jogo como confusões, agarra-agarra na área, comemorações provocativas, impedimentos e até cobranças de pênalti.
No lugar dos jogadores, 15 alunos da Escola de árbitros da Ferj. Os futuros homens e mulheres de preto incorporaram o papel e criaram diversas dificuldades para a arbitragem. Péricles Bassols Cortêz, árbitro que vai comandar Bota x Fla, acredita que a simulação ajuda a aprimorar detalhes.
![]() | Todas as situações criadas aqui são importantes. Saímos do campo com um resumo de tudo. A nossa atenção ao jogo tem que ser redobrada. Acredito que o árbitro não vai acabar com as situações polêmicas do futebol nunca. Gutemberg de Paula Fonseca, árbitro de Flu x Vasco | ![]() |
- São situações ensaiadas, né? Um pouco diferente do que é o jogo, porque os jogadores têm um pouquinho mais de respeito do que os alunos tiveram aqui (risos). Mas todas são difíceis, pois levam a gente ao máximo de desconforto em cada decisão e temos que estar atentos, ponturar coisas que podem passar despercebidas e que a gente não pode deixar passar - diz.
Durante duas horas, Péricles e Gutemberg foram testados com rigor. Jogadas e atitudes que geram conflito foram exaustivamente repetidas. Gutemberg torce para não ter que enfrentá-las neste sábado, no Flu x Vasco. Caso seja necessário, vai estar preparado.
- Todas as situações criadas aqui são importantes. Saímos do campo com um resumo de tudo. A nossa atenção ao jogo tem que ser redobrada. Acredito que o árbitro não vai acabar com as situações polêmicas do futebol nunca. Ele é um ser humano e é passível de erros, mas com certeza vão diminuir com esta preparação - opina.
A disposição dos alunos da Ferj para dar veracidade ao simulado era visível. Desde janeiro, a turma estuda para assumir apitos e bandeiras nos próximos anos. Um dos destaques da atividade foi Ramilton Pantoja, de 30 anos. Chamado de "Romarinho" pelos colegas, o "jogador" tentou tirar os árbitros do sério com ofensas e reclamações.
- Eles (instrutores) pediram para provocar como um jogador mesmo. Foi uma experiência única e uma extensão do curso que fazemos. Foi bom, pois a gente interpretou jogadores. Nas aulas que temos aos sábados, a gente interpreta o papel de juiz. Só espero que não aconteça nenhuma dessas simulações nos jogos do fim de semana - afirma.
Além de mostrar as dificuldades que a arbitragem deve encontrar nas semifinais da Taça Rio, o simulado deixa claro que também há o que corrigir. O instrutor da Comissão de Arbitragem da Ferj e da Fifa, Sérgio Cristiano do Nascimento, ficou satisfeito com o desempenho dos árbitros, mas tem observações a fazer.
- Pudemos perceber alguns erros que precisam ser corrigidos. Fizemos os exercícios visando o clima de jogo e eles corresponderam. Todos estão tranqüilos e eu acredito muito no êxito do trabalho - completa.globo









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