Sul-Americana ainda divide times brasileiros, mesmo após título inédito

12.8.09 | Marcadores:
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Conquista do Inter em 2008 eleva prestígio do torneio, mas nem tanto: Flamengo, Fluminense e Atlético-MG devem poupar maioria dos titulares


Nove clubes representam o futebol brasileiro na edição deste ano da Copa Sul-Americana

A relação dos clubes brasileiros com a Copa Sul-Americana sempre foi meio complicada. Começou com a ausência em 2002 e seguiu com a escalação de vários times reservas e mistos nos anos seguintes. No ano passado, o torneio elevou seu prestígio por aqui, graças ao título do Inter numa final emocionante contra o Estudiantes, em um Beira-Rio lotado.

A oitava edição da Sul-Americana, que já teve seis partidas disputadas, tem a estreia de brasileiros a partir desta quarta-feira. O Colorado, buscando o bicampeonato, só entra na segunda fase, enquanto outros oito times tentam repetir o feito do rival.

- O título nos deixou em evidência na mídia, numa época em que não estávamos tão bem no Brasileiro, e tivemos a possibilidade de usar o termo "campeão de tudo". Recebemos recursos adicionais, vendemos mais camisas e a campanha de sócios teve novo fôlego. Ganhamos o direito de jogar no Japão (pela Copa Suruga), com a partida sendo transmitida para mais de cem países, e consolidamos a marca no mercado internacional - explicou o vice de marketing, Jorge Avancini.

No entanto, o inédito título brasileiro na Sul-Americana não mudou tanto o comportamento dos participantes deste ano. Flamengo e Fluminense já anunciaram que usarão poucos titulares no clássico desta quarta-feira, no Maracanã. O primeiro está a três pontos do G-4 no Brasileirão, enquanto o segundo está na parte de baixo da tabela, lutando para sair da zona de rebaixamento.

O vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, fica em cima do muro ao falar da disputa de duas competições ao mesmo tempo:

- A prioridade da Sul-Americana é a mesma da do Brasileiro. Mas vamos nos adequar e ver quem poderemos escalar. Não dei qualquer ordem para poupar, mas será que um jogador como o Pet aguenta? Tem que ver. De qualquer forma, a Sul-Americana tem boas cotas nas fases seguintes, até porque começa a atrair bons públicos.

Veja o histórico dos nove participantes na Sul-Americana

TIMES P RETROSPECTO MELHOR CAMPANHA
Atlético-MG 3 1v, 1e, 4d 1ª fase nacional
Atlético-PR 3 5v, 4e, 5d semifinal em 2006 (eliminado pelo Pachuca)
Botafogo 3 6v, 3e, 3d quartas em 2008 (eliminado pelo Estudiantes)
Coritiba 1 0v, 1e, 1d 1ª fase nacional
Flamengo 2 0v, 2e, 2d 1ª fase nacional
Fluminense 3 5v, 5e, 4d quartas em 2005 (eliminado pela U. Católica)
Goiás 3 2v, 4e, 4d oitavas em 2007 (eliminado pelo Arsenal)
Internacional 4 13v, 12e, 3d campeão em 2008
Vitória 0 - -
Legenda: P = participações; v = vitória; e = empate; d = derrota

O Atlético-MG, terceiro colocado no Nacional, também avisou que a Sul-Americana ficará em segundo plano. Mas nem todos usarão essa estratégia. No outro confronto da semana, Vitória e Coritiba prometem usar a maioria dos seus titulares na quinta-feira. É o mesmo pensamento do técnico do vice-líder Goiás.

- Não vamos priorizar uma das competições, mesmo porque tive uma boa resposta dos jogadores quando disputamos duas partidas por semana no Brasileiro (com seis vitórias e uma derrota nas últimas sete rodadas). Vamos investir na Sul-Americana, que é importante para clubes, como o Goiás, que querem se firmar no cenário nacional - afirmou Hélio dos Anjos.

OS DUELOS NACIONAIS
Flamengo x Fluminense 12/08 e 26/08 (ambos no Rio de Janeiro)
Vitória x Coritiba 13/08 (Salvador) e 25/08 (Curitiba)
Atlético-MG x Goiás 26/08 (Belo Horizonte) e 16/09 (Goiânia)
Atlético-PR x Botafogo 02/09 (Curitiba) e 16/09 (Rio de Janeiro)

Seis dos nove representantes do Brasil na Sul-Americana têm um ponto em comum: trocaram recentemente de treinador. O primeiro foi o Fluminense, que contratou Renato Gaúcho há três semanas. Depois, foi a vez de Flamengo (com Andrade) e Atlético-PR (Antônio Lopes).

Na última rodada, três clubes mandaram o técnico embora. O Coritiba, que ficou sem René Simões, contratou Ney Franco, demitido no Botafogo. O clube carioca tirou Estevam Soares do Barueri e deixou o Vitória como o único sem técnico, após o adeus a Paulo César Carpegiani.

A edição deste ano não tem representantes do México, que se retiraram da disputa em represália à polêmica na Taça Libertadores por conta do surto no país da nova gripe, em maio. Na ocasião, não houve acordo sobre os locais dos jogos de Chivas e San Luis como mandantes.

A missão de manter a hegemonia da Argentina - principal vencedora da Sul-Americana, com quatro títulos - está nas mãos de Boca Juniors, River Plate, Vélez Sarsfield, Lanús, Tigre e San Lorenzo.

Confira todos os campeões da Sul-Americana

ANO CAMPEÃO VICE SEMIFINALISTAS
2002 San Lorenzo (ARG) Nacional (COL) Bolívar (BOL) e Nacional (URU)
2003 Cienciano (PER) River Plate (ARG) São Paulo e Nacional (COL)
2004 Boca Juniors (ARG) Bolívar (BOL) Internacional e LDU (EQU)
2005 Boca Juniors (ARG) Pumas (MEX) Vélez Sarsfield (ARG) e U. Católica (CHI)
2006 Pachuca (MEX) Colo Colo (CHI) Atlético-PR e Toluca (MEX)
2007 Arsenal (ARG) América (MEX) Millonarios (COL) e River Plate (ARG)
2008 Internacional Estudiantes (ARG) Guadalajara (MEX) e Argentinos Juniors (ARG)

Colaborou Eduardo Peixoto.

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