Maior ídolo do Tricolor agora tem a missão de devolver os títulos ao clube: 'Gosto de desafios'. Ele estreia nesta quinta-feira, na Copa Sul-Americana
Na história vitoriosa e centenária do Grêmio, Renato Gaúcho tem lugar privilegiado. Habilidoso, atrevido e polêmico, Renato Portaluppi, como é chamado pelos gremistas, sempre foi um jogador de dribles fantásticos e temperamento forte. Na memória dos tricolores, está guardado como o camisa 7, o herói do Campeonato Mundial, quando foi responsável pelos dois gols da vitória na decisão contra o Hamburgo, da Alemanha, por 2 a 1. Aquele 11 de dezembro de 1983, no Estádio Nacional de Tóquio, no Japão, cravou de vez o nome do ponta-direita entre os maiores do clube. Antes, naquele mesmo ano, contribuiu para a conquista da primeira das duas Libertadores da América dos azuis.
Renato está de volta. Não mais para superar adversários em campo. Na tarde desta quinta-feira, ele foi recebido no Aeroporto Salgado Filho por centenas de pessoas e apresentado como novo técnico do Grêmio. Aos 47 anos, chega para começar uma nova era. Desembarca em Porto Alegre cercado por desafios. O clube tenta voltar a ganhar títulos nacionais e internacionais e precisa sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Na entrevista coletiva, já vestido com o uniforme tricolor, confessou ter ficado emocionado com a recepção e deixou claro que volta ao Olímpico como técnico e não como ídolo.
Renato Gaúcho sorri durante sua primeira entrevista como técnico do Grêmio (Foto: Richard Fausto / Globoesporte.com)- Sem dúvida alguma. Lógico que fico feliz por ser ídolo de um grande clube como o Grêmio, mas a diretoria pensa da mesma forma. Fui contratado como técnico. Sei que não tem como escapar da história, mas dentro do possível vamos trabalhar rápido para sairmos desta situação. É sempre bom ser recebido assim, principalmente por uma torcida que eu sempre tive no coração, uma torcida apaixonada. Fiquei muito feliz. Voltei a me emocionar e bastante – comentou.
Na apresentação, Renato estava acompanhado pelo auxiliar dele, Alexandre Mendes, pelo diretor de futebol, Alberto Guerra, e o assessor de futebol Rui Costa. Acostumado a fazer promessas nos clubes por onde passa, o treinador adotou um tom cauteloso. Ainda assim, assegurou que o time vai recuperar o bom futebol do primeiro semestre, quando foi campeão gaúcho e semifinailista da Copa do Brasil.
- Tenho acompanhado o Grêmio sempre, até por ser gremista. O grupo do Grêmio é muito bom, tem jogadores diferenciados. Conversei algumas coisas com a diretoria e podem ter certeza que os jogadores vão ter alegria de jogar futebol e muita confiança. E que a torcida volte a apoiar a equipe durante todos os jogos. Podem ter certeza que em breve o Grêmio vai sair desta situação – avisou.

O novo comandante, que tem contrato até o fim do ano, diz que acumulou bagagem suficiente para o momento que considera especial. Voltar ao clube que o projetou mexe com o ídolo. Ele não tem qualquer receio de que um fracasso possa arranhar o que construiu como atleta.
- Não temo, ou não estaria aqui. Gosto de desafios, conversei bastante com o Alberto (Guerra, diretor de futebol), confio bastante no meu trabalho, na diretoria do Grêmio, no presidente do Grêmio. A energia é muito positiva, a massa vai nos apoiar com certeza. Pode ter certeza de que as coisas vão começar a dar certo. Não adianta falar do meu trabalho, como vai ser. Somente com o desempenho do time, nos treinos, nos jogos, o torcedor vai poder ver o nosso trabalho. O mais importante é ver os números por onde passei como treinador. Sou exigente, procuro sempre o melhor - explicou.
Renato vai estrear pelo Grêmio na Copa Sul-Americana. O time enfrenta o Goiás, no Olímpico, às 19h30m (de Brasília), nesta quinta. Está em jogo uma vaga na segunda fase da competição, que a partir deste ano dá ao campeão um lugar na Libertadores 2011. Na semana passada, em Goiânia, empate por 1 a 1. Por ter feito um gol na casa do adversário, o Tricolor gaúcho joga pelo 0 a 0.

- A prioridade é o jogo de hoje, contra o Goiás, que não é fácil, apesar do resultado conquistado lá. Os jogadores podem ter certeza de que vão estar mais confiantes e vão ter o apoio da torcida. A partir de amanhã, pensaremos no Goiás novamente, mas pelo Brasileiro (os times jogam no domingo, também no Olímpico). O que importa é a classificação. O 0 a 0 é do Grêmio. Se puder vencer, melhor. Mas o tempo para trabalhar é praticamente zero, vou conversar um pouco com os jogadores, e o objetivo maior é a nossa classificação. O grêmio vai ter uma crescente na Sul-Americana e no Brasileiro – frisou.
O treinador participou da montagem do time do Grêmio para a partida em conversas por telefone com o interino Andrey Lopes.





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