Sem um comunicado oficial, o maior medalhista olímpico brasileiro, o velejador Torben Grael, afirmou na manhã desta quarta-feira, durante a apresentação do novo patrocinador do barco do filho Marco Grael e do companheiro André "Bochecha" Fonseca, que não pretende disputar mais um ciclo olímpico.
Torben afirmou que a falta de apoio, de treinos, e da exclusão da classe Star da Olimpíada do Rio 2016 fizeram com que ele e o companheiro de barco, Marcelo Ferreira, começassem a pensar em uma aposentadoria.
"Praticamente depois de Atenas em 2004 fizemos poucas competições de Star. Dediquei-me mais as regatas de Volta ao Mundo de 2005/2006 e de 2008/2009, o que acabou me deixando um pouco afastado da classe Star. E aí a gente sente falta de ritmo. E para voltar ao ritmo que tínhamos antes, era necessário uma dedicação muito forte, um trabalho constante e com uma preparação voltada para uma campanha olímpica", afirmou.
"Mas acabou que não conseguimos nos dedicar aos treinamentos como deveríamos ter feito para voltar ao estágio de antes", emendou o maior medalhista olímpico brasileiro - com dois ouros (Atlanta 1996 e Atenas 2004) e dois bronze (Seul 1988 e Sydney 2000) na classe Star e uma prata na Soling (Los Angeles 1984).
O fim da classe Star na Olimpíada do Rio de 2016 divulgado pela ISAF (Conselho da Federação Internacional de Vela) no início de maio fez com que o velejador começasse a pensar na aposentadoria olímpica. Após a etapa da Holanda da Copa do Mundo de Iatismo, no mesmo mês, quando a dupla ficou em sétimo, a ideia começou a tomar forma e a fazer parte das conversas.
"Acho que diante das dificuldades de encontrar um patrocinador e de treinar. E a saída da classe Star de 2016 ajudou na nossa decisão de antecipar a aposentadoria. Eu e o Marcelo já estávamos com essa ideia. Mas lógico que todos esses acontecimentos acabaram dando um empurrão a mais".
Segundo Torben, as últimas competições estavam sendo disputadas com recursos próprios. O COB (Confederação Olímpica Brasileira) os ajudou comprando um barco, mas os gastos com passagens, hospedagem, alimentação, era tudo por conta dos atletas. Para o maior medalhista, uma campanha olímpica de alto nível é cara. E não havia condições de ficar financiado essas competições.
"Nos últimos tempos estávamos disputando recursos até com os meus filhos (Marco e Martine Grael). O mais triste é ter que parar por causa de falta de incentivos. Mas em algum momento isso teria que acontecer", afirmou.
Torben quer seguir vida no esporte
Torben garante que não deixará o esporte, e que continuará correndo pela classe Oceano. Embora não tenha mais tempo para participar da terceira Volta ao Mundo que começará dia 29 de outubro, na Espanha. Ele não descarta a possibilidade de estar na próxima.
"Fiz as duas últimas regatas da Volta ao Mundo. Não vou fazer a próxima. Mas a seguinte posso estar. A vela é um esporte que tem um horizonte muito grande. Tem muita coisa ainda para eu fazer no mar. Acho que a vela é um esporte onde as pessoas dificilmente param. Você vai mudando o enfoque, mas parar nunca".
O iatista pretende encarar a classe Star agora apenas como um velejador normal, não mais como um competidor. Mas deixa o futuro em aberto. "Vou continuar velejando a Star, mas de forma descontraída, como a maioria dos praticantes da classe no Brasil. Por enquanto, esse é o meu plano".
Segundo ele, se a classe Star não for eliminada da Olimpíada Rio 2016, há a possibilidade de um retorno. "A gente teria que avaliar isso para ver se valeria a pena. Poderemos reavaliar. Ver as condições que teremos para treinar e nos prepararmos. Porque não adianta competir senão tivermos condições de lutar por uma medalha".
Orgulho da família Grael
Com 51 anos, o pai Torben Grael fala com orgulho das escolhas dos dois filhos, Marco e Martine Grael. Embora garanta que apenas plantou o amor de velejar no coração dos pupilos.
"Eu e minha mulher sempre os incentivamos a velejar, a praticar e curtir o esporte. Sempre tivemos essa paixão e eles acabaram se apaixonando também. Mas a parte de competir foi iniciativa deles. Eu nunca os empurrei para competir. Mas quando eles começaram, fizemos o possível para eles tivessem condições de participar. E daí para a frente foi por conta deles".
Martine Grael está lutando com a iatista Isabel Swan por uma vaga nos Jogos de Londres, na classe 470. Já Marco Grael vem treinando em Porto Alegre com o companheiro André Fonseca na classe 49er para que o sobrenome Grael continue fazendo parte do pódio olímpico brasileiro.
Hoje faria anos o talentoso médio do Barreiro que morreu a jogar futebol.
Quem se lembra de Hugo Cunha?
-
Hugo Cunha chegou a estar vinculado ao Benfica
Protagonista de mais um triste caso de morte súbita no futebol português,
despontou de tal forma no Barreire...
Há um minuto





Nenhum comentário sobre “Maior medalhista brasileiro, Torben Grael dá adeus a carreira olímpica”
Faça seu comentário
BLOG DE ESPORTES COM ATUALIZAÇÕES DIÁRIAS, ABERTO A QUALQUER TIPO DE COMENTÁRIO SOBRE O ESPORTE NACIONAL E INTERNACIONAL, COMENTE SEM POUPAR PALAVRAS. AGRADECE O BLOG DO TORCEDOR.