Apesar de estar há pouco mais de dois meses no futebol do Uzbequistão, o técnico Luiz Felipe Scolari é só elogios ao país. Líder do campeonato local com o Bunyodkor, o pentacampeão enaltece a estrutura do clube e faz questão de responder os críticos que disseram que sua escolha em treinar um clube inexpressivo no cenário mundial teria sido um passo atrás na carreira.
- Fiz algo que pensei com muito cuidado e estou muito contente com esta escolha, tanto para mim, quanto para minha comissão técnica e família. Trabalho com um grupo de atletas famintos por aprender, dedicados, tenho tempo para ensinar. Além disso, tenho total confiança de meu presidente, autonomia e vivo muito bem aqui no Uzbequistão - afirmou Felipão, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, por e-mail.
Confira abaixo outros trechos do bate papo no qual Scolari diz que dificilmente voltará a trabalhar em Portugal, além de reiterar seu desejo de voltar ao futebol brasileiro em 2011. O treinador também evita falar sobre o Chelsea por causa de questões contratuais com o seu ex-clube.
GLOBOESPORTE.COM: Depois de quase dois meses no Uzbequistão, quais são suas primeiras impressões sobre o futebol do país? Tem como compará-lo com o de algum outro lugar?
Luiz Felipe Scolari: Está começando um projeto como outros países iniciaram tempos atrás com a contratação de jogadores de outros países e técnicos para, dentro de pouco tempo, agregar algumas coisas diferentes ao futebol local.
E em relação a estrutura do Bunyodkor? Está no mesmo patamar do futebol europeu?
Ainda não, mas está se preparando para estar num bom nível na Ásia, já que no nível europeu muito poucas equipes poderão chegar.
E sobre a liga local, o nível é muito fraco? Afinal vocês estão muitos pontos na frente do segundo colocado (Nota: O Bunyodkor soma 60 contra 43 do Pakhtakor).
È um campeonato em que temos duas grandes equipes, quatro equipes boas, duas equipes médias e oito pequenas e a diferença de pontos é porque vencemos o clássico e o rival empatou alguns jogos fora.
E a perda da Copa do Uzbequistão, prejudicou seu trabalho aí?
Não prejudicou, mas atrapalhou um projeto que tínhamos e fizemos uma reavaliação geral em todos os sentidos. Desde atletas até a parte diretiva e de como temos de trabalhar também fora de campo.
Felipão conversa com o amigo Rivaldo
E como é trabalhar com Rivaldo novamente? Como é essa relação?
É excelente , pois ele é um profissional correto e dedicado e minha relação é ainda melhor do que foi no Brasil e principalmente na Copa. É o capitão para todos os assuntos e amigo, algo que é muito importante para um técnico.
Muita gente, principalmente pessoas da imprensa inglesa e portuguesa, dizem que essa sua decisão de trabalhar no Uzbequistão foi uma escolha ruim para sua carreira. Uma espécie de declínio. O que você tem a dizer sobre isso?
O que tenho a dizer é que (eles) não sabem muito sobre algumas coisas e atiram para todo lado. Fiz algo que pensei com muito cuidado e estou muito contente com esta escolha, tanto para mim, quanto para minha comissão técnica e família. Trabalho com um grupo de atletas famintos por aprender, dedicados, tenho tempo para ensinar. Além disso, tenho total confiança de meu presidente, autonomia e vivo muito bem aqui no Uzbequistão.
Felipão dá instruções aos seus comandados durante partida do Campeonato Uzbeque
Acredita que o fato de ter ficado quase sete anos trabalhando somente em seleções nacionais o prejudicou quando você voltou a trabalhar em clubes (Nota: em 2008, no Chelsea)?
Não. Mas do Chelsea nada tenho a comentar até que minha situação contratual se encerre, com todos os pagamentos efetuados, inclusive o que foi retido para pagamento de imposto que ainda não terminou. Mas também não esqueçam que fiz das seleções que trabalhei uma espécie de clube.
Scolari nos tempos de Chelsea
E o retorno ao futebol brasileiro? Vai acontecer em 2011?
É provável, pois até já tenho um pequeno compromisso de palavra se voltar em 2011, mas também tenho uma opção da minha equipe atual para mais um ano de contrato.
Tem acompanhado esse começo de temporada nos principais campeonatos europeus? Acredita que o Chelsea é o grande favorito ao título inglês? Afinal, os Blues perderam poucos jogadores - ou quase nenhum - enquanto seus rivais venderam bastante.
Naturalmente tenho visto pela televisão os jogos e estou a par dos acontecimentos, e acho que na Inglaterra são quatro os concorrentes pelo título.
E o Manchester City? Acredita que o clube pode tomar de assalto o futebol inglês e europeu?
Acredito que fará um campeonato muito melhor que o ano passado, mas ainda terá um bom tempo para chegar a rivalizar na Europa com todos os outros grandes.
Sobre o Real Madrid, com todos esses reforços, vai conseguir desbancar o Barcelona que de certa forma já tem uma base montada?
Está com uma grande equipe e será um campeonato muito legal de se observar, mas o Barça tem também muita qualidade.
E a seleção portuguesa, que está em difícil situação nas eliminatórias. Acredita que ela possa conseguir reverter essa situação e garantir uma vaga na Copa?
Se vencer os dois jogos de setembro penso que estará sim na Copa. Mas se houver algum tropeço nestes jogos, aí só tem que pensar nos playoffs (repescagem) para ir ao Mundial.
Existe alguma possibilidade de você voltar a trabalhar na seleção portuguesa?
Tenho sempre a porta aberta em Portugal pelo trabalho e pela amizade com todos da comissão técnica e da população, mas neste momento não penso nesta alternativa.
E sobre o Brasileirão? Aposta suas fichas em quais equipes para o título?
Aposto que entre os cinco primeiros estarão Palmeiras, São Paulo, Grêmio e Inter pelo menos.
globo

Nenhum comentário sobre “Scolari elogia Uzbequistão, evita falar sobre Chelsea e se derrete por Rivaldo”
Faça seu comentário
BLOG DE ESPORTES COM ATUALIZAÇÕES DIÁRIAS, ABERTO A QUALQUER TIPO DE COMENTÁRIO SOBRE O ESPORTE NACIONAL E INTERNACIONAL, COMENTE SEM POUPAR PALAVRAS. AGRADECE O BLOG DO TORCEDOR.