Ao assumir a Seleção Brasileira, há dez meses, Mano Menezes encontrou uma novidade: tempo livre. Fins-de-semana disponíveis. Quartas à noite sem programa. Depois de anos trabalhando em estádios de futebol - ele, ao aceitar o convite da CBF - ganhou folga. Dias de folga. A obrigação semanal de estar num banco de reservas desapareceu. O que fazer com esse tempo livre?
Mano decidiu... trabalhar. Decidiu ir aos estádios - ver jogos - e ser visto vendo jogos. A ideia era até simples: trabalhar, mostrar trabalho, e se aproximar da arquibancada. Mostrar ao torcedor que o treinador da seleção não é uma entidade intocável e distante. Ao contrário de Dunga, que preferia não ser visto - e exibia a ocasional banana diante do protesto - Mano entendeu cedo que ser visto faz parte de seu trabalho. E que estar nos estádios ajuda a relação do treinador com seu cliente derradeiro, o torcedor.
Claro, Mano e a torcida ainda estão em lua-de-mel - é cedo - e ele sabe disso. Mas sabe também que tem uma chance histórica nas mãos. Com 2014 na mira e uma geração espetacular nas mãos, o técnico não olhou para trás. Ignorou as pouco populares preferências de Dunga (Kléberson, Josué, Júlio Baptista...) e apostou no futuro. Já na sua primeira convocação, chamou Ganso e Neymar. Lucas entrou na mira. Tirou de campo o futebol pragmático-e-se-der-bonito. E escalou o futebol-bonito-mas-também-prático. É uma mudança que parece sutil - mas é radical.
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Há 23 horas

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