Por MATINAS SUZUKI JR.
Meus amigos, meus inimigos, os ecos das constelações dos malditos –dos Baudelaires e Rimbauds– perguntam pelas ruas de Paris: por quê, Dener?
O Edmundo, o Bebeto, o Romário e o Muller, órfãos da nossa estrela de cinco pontas, perguntam: por quê, Dener?
O herói que você quis ser, o playboy que você quis ser, o aventureiro que você quis ser, se perguntam: por quê, Dener?
Os zumbis, os sacis, os moleques de rua perguntam: por quê, Dener?
Os Almires Pernambuquinhos, os Toninhos Guerreiros, os Maradonas, enfim, todos aqueles que sabem que a bola é um enigma maior do que a vida, questionam: por quê, Dener?
Os James Deans, os Rivers Phoenixes, os Kurts Cobains e o séquito dos que desistiram do paraíso muito cedo, indagam: por quê, Dener?
O Pedro Gil, filho de seu admirador Gilberto Gil, do mesmo lugar trágico, sussurra para você: por quê, Dener?
O poeta Manuel Bandeira, dos versos que abrem este texto, e que cantou alguém como você, que desceu do morro para morrer na lagoa Rodrigo de Freitas, ante o iniludível, pergunta: por quê, Dener?
A alegria, a chance de esta vergonha se tornar uma nação, o desejo do sim para o país do não, se perguntam: por quê, Dener?
O erotismo da bola, o poema do drible, a sexualidade do gol, cismam: por quê, Dener?
A nau dos insensatos, o navegar é preciso e o me segura que eu vou dar um troço divagam: por quê, Dener?
A vida que nunca o convocou, o sentimento que tinha medo dos seus ataques, a morte que você goleou várias vezes, tentam decifrar o enigma: por quê, Dener?
Seus adversários, seus marcadores –vítimas e cúmplices da sua soberania–, estão atônitos: por quê, Dener?
As caravelas portuguesas, que você –filho de filho de filho de filho de escravos– defendeu em São Paulo e no Rio, singrando os sete mares, sopram: por quê, Dener?
O melhor do swing de Tim Maia, do funk da banda do Zé Pretinho, o morro de São Carlos, a Mocidade Alegre, a Mocidade Independente, os roqueiros dos últimos dias da Pompéia, a juventude transviada, os funks da periferia, a rapaziada do Brás, do Bixiga e da Barra Funda, especulam: por quê, Dener?
As trigêmeas da Playboy perguntam: por quê, Dener?
As últimas esperanças e as primeiras ilusões demandam: por quê, Dener?
O impossível estranha: por quê, Dener, por quê?
Os monólogos consoladores, os diálogos ininteligíveis e a mudez reveladora perguntam: por que, Dener?
Eu, que quis a 10 para você, murmuro: por que não, Dener?

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